O barro arrancado do barranco num dia molhado. O cheiro do giz de cera que pinga queimado pela vela virando desenho. A textura da polpa do primeiro papel experimental. Memórias de infância. Desde sempre matéria.

Perceber. Assistir. Manipular. Conhecer as qualidades da matéria e entender o mundo inteiro através das coisas.

Alguns diálogos com a matéria foram criando potências desde as pesquisas com processos fotográficos na faculdade de Artes Plásticas, na Federal do Espírito Santo, em 1998, até o ano de estudos no estúdio de cerâmica da Harvard University, em Boston, em 2010. 

Entender e considerar a fotografia no espaço tridimensional como um corpo no espaço. Sensibilizar novas superfícies fotográficas me levou até a cerâmica. 

A terra me abriu um imenso campo de possibilidades. Ganhei intimidade com essa matéria no meu estúdio em Vila Velha – ES, criando potes, muitos potes – esse container mais simples e primitivo; esse invólucro do vazio, essa forma primordial que veio em substituição às mãos postas.

Há 15 anos chegou a porcelana em meus processos, consolidando esse diálogo com as coisas na mais absoluta potência de acontecimento. Durante o  mestrado em poéticas visuais na Escola de Comunicações e Artes – USP, desenvolvi uma porcelana translúcida que foi meio para a construção de um conjunto de obras que partem dessa matéria densa, resistente, que tende ao peso e explora seus limites, buscando leveza e quase imaterialidade, resultado da minha dissertação  “a terra e a construção de uma poética da leveza”.

Em 2011, de volta ao Brasil e ao meu estúdio em São Paulo, depois da imersão em cerâmica em Boston, desenvolvi a “série líquida”, movida outra vez pela busca de um novo suporte para a fotografia. A partir desse processo, passei a trabalhar com a porcelana líquida. Experimentando formas, desenvolvendo cores, refletindo sobre o vazio, leveza e peso, movimento e repouso, num observar constante da natureza e de seu devir.

Perceber. Assistir. Manipular. O trabalho formado a partir do comportamento da matéria e sua transitoriedade.

Aqui sigo, nesse diálogo sem fim.

Heloisa Galvão

“Trabalhar com porcelana é uma sensação difícil de explicar. Eu amo!”

Cecília Galvão Daud Amadera

no estúdio desde que nasceu, em Outubro/2013

“Acabei de me formar em Design e sou técnico em cerâmica. A forma não segue apenas a função, mas sim uma primordial junção entre o amor e o empenho de quem a cria e produz. Trabalhar no Estúdio significa ter um lar. Um lar para criar e construir vasos, copos e pratos nas mãos; sonhos, esperanças e felicidade na vida.”

Jean Herrera

no estúdio desde janeiro/2015

“Trabalhei por sete anos com silk-screen no Togo, minha terra natal. Estou no Estúdio desde que cheguei ao Brasil. Eu amo trabalhar aqui porque me faz amar cerâmica e me sinto dentro uma família grande!”

Edoe Roland Assiakoley Mensah

no estúdio desde maio/2015

“Tenho fascínio pelo fazer manual e trabalhar com cerâmica sempre foi um objetivo. Após um ano sabático viajando pelo Brasil, voltei para São Paulo e comecei a trabalhar no Estúdio Heloisa Galvão, que me acolheu nessa escolha e me proporciona aprendizados e momentos únicos. Mais que um ateliê de cerâmica somos uma família e nos amamos como tal.”

Rogério Henrique Guilherme

no estúdio desde março/2016

“Sou artista visual e apaixonada pelas cicatrizes da matéria. Reencontrar a Helo há mais de um ano foi mergulhar ainda mais numa reflexão sobre o tempo, o espaço e os vazios em processos extremamente sensíveis do pensar. Um encontro de potências fabulosas constante. Com certeza, fazer parte desse time lindo é um aquietar da alma. “

Cassiana Der Haroutiounian

no estúdio desde julho/2019

“Terminei a faculdade de arquitetura e comecei a trabalhar no Estúdio. Quando cheguei, tudo foi uma novidade .Uma mistura de várias sensações. Todo dia, é dia de aprender. Conviver com a Helo, é ter o prazer de conhecer, sentir e entender. Sou muito grata por estar aqui e fazer parte de tudo isso. ”  

FERNANDA CHAVES DE SOUZA

NO ESTÚDIO DESDE OUTUBRO/2019

“A helo e o estúdio heloisa galvão abriram um novo caminho para minha vida com ramificações que eu nunca pude ter antes. trabalhar no atelier me leva ao crescimento, pessoal, artístico e todos outros pontos de vida” 

ESDRAS MATEUS SANTOS LEITE

NO ESTÚDIO DESDE FEVEREIRO/2021

“A paixão que eu tenho pelo movimento do corpo eu tenho encontrado também no movimento da porcelana liquida em seu processo de criar forma, fazer parte do estúdio Heloísa Galvão tem sido uma experiência nova, uma descoberta todos os dias e um despertar dentro de mim”  

NATÁLIA CRUZ SANTANA

NO ESTÚDIO DESDE JUNHO/2021

“Ao entrar no estúdio fui acolhido de uma forma tão incrível que comecei a acreditar que tudo era possível e a acreditar mais em mim mesmo. Conhecer a Helo foi muito maravilhoso e ter a oportunidade de trabalhar aqui está sendo a melhor experiência do mundo”  

WESLEY BARBOSA RODRIGUES

NO ESTÚDIO DESDE JULHO/2021